- Onde colocou minhas chaves?
- As chaves por favor?
Ela já falava por entre os dentes e ele sorria não acreditando
que ela pudesse realmente ir embora.
- Você não vai de verdade né?
- Quero ir embora...!
Ela rodou nos saltos lhe dando as costas e começou a procurar em cada canto,
mas sabia que não encontraria.
Ele andava atrás dela já com cara de assustado, falando tanto que a irritava mais ainda, mas não dizia onde havia escondido a porcaria das chaves.
- Por favor não vai, tô pedindo, me desculpa, não toco mais no assunto.
Ela sabia que não era verdade, ele sempre acabava estragando tudo
falando no que ela queria esquecer.
- Minhas chaves, eu só quero as chaves, ela insistia.
Ele arriscou mais uma vez um pedido para que ela ficasse.
Cabeçudo demais em certas horas, ele fazia sempre pairar a dúvida na cabeça dela quando agia feito menino mimado, e ela se perguntava se essa empolgação dele não passaria de uma vez por todas para que tudo acabasse.
Ele estendeu a mão com as chaves sem falar nada.
Apressada e sem olhar arrancou o chaveiro da mão dele, pegou sua bolsa e saiu.
Esqueceu de acender a luz da garagem e não pegou o controle do portão,
você é burra demais, disse a si mesma.
Não enxergava nada ali e o pior, precisava voltar dentro da casa,
cada vez mais irritada porque várias vezes ele quis que tivesse
o seu controle e ela nunca aceitou.
O lugar era o de sempre, um vasinho de cristal na sala de cinema, não precisaria subir. Mas deveria ter esperado, ele era incrível, não foi atrás dela, não bancou o cavalheiro para abrir o portão, nem insistiu para levá-la em casa.
Não poderia ser tão simples e fácil, e agora ela olhava incrédula o vasinho vazio.
Burra, mil vezes burra! Gritou seu nome, muito irritada perguntando pelo controle!
E uma voz calma veio do andar de cima, dizendo que estava dentro do vaso no home.
- Mentiroso!! Você sabe que não está!!
Ela ouviu risos, já não sabia se perdia a calma ou se ria também.
Era isso o que ele sempre conseguia no fim das contas.
Não entrou na dele dessa vez e pediu:
- Pode trazer para mim?
- Vai dar não! Vem buscar!
- Não vou entrar na sua, não vou subir, você pode abrir para mim então?
- Vai dar não! Vem buscar!
Putz ele consegue mesmo me tirar do sério rosnou ela irritada.
- Não vou subir menino, não caio nessa, vou tirando o carro, eu espero quando você puder abrir.
- Vai dar não! Cara vem buscar!
Ela subiu as escadas quase pulando de tanta raiva e indignação,
abriu a porta do quarto e lá estava ele, completamente e deliciosamente nu.
Céus ele é muito lindo! Ela engoliu o pensamento que correu em suas veias, abaixou os olhos, mas ele veio avançando em sua direção e ela andando de costas foi afastando, ele parou e disse com a voz mais encantadora que ela já pôde escutar
- Calma, não vou tocar em você, mas se puder tocar em mim
vai ser tudo, vai ser delícia fazer amor com você agora, me olha minha vida,
não me deixa sozinho, fica, me ama...deixa eu te amar.
Não, ela sabe que não, é impossível, não tem mesmo como resistir...

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